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SUPREMO CONSELHO UNIVERSAL DA ORDEM DOS LOWTONS

Dá-se o nome de Lowton ao filho do Maçom, com idade entre sete e quatorze anos, adotado por uma Loja Maçônica, a qual contrai para com ele a  obrigação de servir-lhe de tutor e guia na vida social, de acordo com um ritual especial denominado "Adoção de  Lowtons". Em razão desse venerável empenho, as Lojas não devem conceder esta adoção senão com prudência.

A célebre obra "A Lexicon of Freemasonry", publicada em 1860 pelo ilustre Irmão Albert G. Mackey (especificamente à página 274), oferece um sábio esclarecimento sobre as raízes etimológicas do termo "Lowton", ao mesmo tempo que distingue com precisão as palavras "Lewis" e "Louveteau".

De raiz inglesa, "Lewis" remete à maçonaria operativa, designando uma presilha de ferro encaixada em uma cavidade aberta em grandes blocos de pedra. Este dispositivo serve para fixar roldanas e ganchos, possibilitando o içamento seguro e o preciso posicionamento das pedras em altura. No contexto inglês, cabe ao filho de um obreiro a missão de amparar a debilidade paterna, sustentando as forças que se esvaem. Em suma, a tradição determina que ele "suporte o fardo e o calor do dia" para que seu pai possa usufruir de descanso na velhice.

Por sua vez, "Louveteau", oriundo do francês, traduz-se como filhote, ou mais precisamente, lobinho. Assim como o neófito que busca a iniciação nos mistérios da Ordem era metaforicamente chamado de lobo, o descendente de um maçom passou a ser designado, nas Lojas francesas, como "jovem lobo". Nos antigos Mistérios de Ísis, por exemplo, o postulante utilizava uma máscara com efígie de cabeça de lobo, o que tornava os termos "lobo" e "candidato" praticamente intercambiáveis na simbologia daqueles rituais.

Em decorrência disso, a grande vantagem atribuída ao Lewis ou Louveteau residia na possibilidade de ingresso na Ordem aos 18 anos, enquanto os demais profanos somente poderiam dar seus primeiros passos na Maçonaria a partir dos 21 anos.

No que tange ao Brasil, a mais antiga referência que localizamos sobre os Lowtons aparece por ocasião da fundação do Grande Oriente do Brasil, especificamente na primeira Carta Constitucional da instituição, intitulada "Regulamentos Particulares Bazeados Sobre as Constituições Geraes da Ordem Maçônica". Traduzida do francês, esta carta data de 1832 e foi promulgada na cidade do Rio de Janeiro. Conforme consta à página 37, o texto define a "Adopção de hum Leuton" como o ato em que a Loja acolhe o filho de um maçom carente, promovendo sua educação e o ensino de um ofício para garantir seu sustento, além de prestar auxílio ao Irmão em situação de desgraça.

Ainda neste documento, no Capítulo V ("Das Iniciações e Filiações"), o Artigo 1° estabelece a idade mínima de vinte anos para a iniciação de cidadãos comuns, mas ressalva que a Loja pode conceder dispensa de idade em favor de um "Leuton" (grafia então vigente) ou mesmo de outros profanos, mediante deliberação específica. Portanto, já naquela época, o filho de maçom desfrutava da prerrogativa de ser iniciado antes dos 21 anos.

Ao examinarmos a Constituição do 'Grande Oriente do Brazil', editada no Rio de Janeiro em 1901, identificamos a primeira ocorrência da grafia que empregamos atualmente – "Lowton". No Título II, Capítulo I, o Parágrafo único do Art. 7° dispensa os filhos de maçons e os Lowtons regularmente adotados da condição etária geral, permitindo-lhes a iniciação a partir dos 18 anos, desde que haja o consentimento dos pais ou tutores. Embora esta passagem detalhe com maior clareza a prerrogativa concedida aos nossos Lowtons, percebe-se que ainda carecíamos de definições complementares até chegar ao modelo que adotamos na contemporaneidade.

O "Código Maçônico - Constituição, Regulamento Geral do GOB", de 1914, no Capítulo II ("Das Officinas"), vai além das prerrogativas e compromissos com a adoção dos Lowtons. Ele estabelece as condições formais necessárias para tal adoção, que figura entre os direitos inerentes às Lojas. O Art. 17° (alínea c) assegura o direito de a Oficina tomar sob sua proteção, mediante cerimônia de adoção, os filhos de maçons com idade entre 7 e 13 anos, os quais poderão ser iniciados ao completarem 18 anos.

Diante de todo este acervo documental, é possível afirmar, com base em sólida fundamentação histórica, que a idade definida para a qualificação como Lowton é perfeitamente estabelecida, que os profanos estão excluídos desse processo e que o vocábulo "Lowton" goza de pleno reconhecimento regular, não havendo margem para interpretações equivocadas ou suposições infundadas.

Por fim, torna-se imprescindível reforçar o compromisso de todos nós em salvaguardar esta que é a única instituição maçônica voltada para o público infanto-juvenil. Devemos ter plena consciência da importância do título e do papel vital que nossos filhos exercem, bem como do empenho e da dedicação que somos obrigados a lhes ofertar.

A IMPORTÂNCIA DA ADOÇÃO DE LOWTONS

Por: José Castellani

Instituição essencialmente maçônica, a adoção de lowtons, embora não se possa precisar, exatamente, o seu início, é muito antiga. Tem, pelo menos, mais de 250 anos, o que se pode aquilatar por homens de destaque na História mundial, os quais foram adotados, como é o caso, por exemplo, de George Washington, líder da independência norte-americana, que, nascido em 1732, foi lowton, tendo, por isso, sido iniciado aos 20 anos de idade, a 4 de novembro de 1752, na Loja Fredericksburg Nº 4, da nascente Maçonaria norte-americana, iniciada em 1730, em Massachussetts.

Essa prática consiste em colocar o filho do maçom, ainda na infância, sob a proteção e a orientação de uma Loja, que assume o compromisso de ampara-lo e prepará-lo para a vida adulta, dentro dos princípios morais, éticos e libertários da Maçonaria encaminhando-o logo após a adoção a uma oficina de Lowtons, porém, jovens que não tem pais maçons podem ser introduzido na Ordem dos Lowtons através de um convite feito por outro Lowton e desde que aceito por todos.


O que é bonito na teoria, porém, é desmentido pela prática, pelo menos em nosso meio, pois a adoção de lowtons tem sido criminosamente abandonada pelas Lojas, por comodismo ou por desconhecimento, ou, ainda, pelo atrativo de outras instituições mais exóticas, mais mundanas e, acima de tudo, mais “marqueteiras”, para usar um neologismo muito atual, derivado de “marketing”, significando o que permite mais promoção e espaço na mídia.

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Para piorar o quadro, as poucas Lojas que, nos últimos anos, ainda têm promovido a adoção, têm, depois de uma belíssima cerimônia, deixado os lowtons largados à própria sorte, marginalizados e relegados ao limbo das coisas inúteis. Esqueceram-se, talvez, as Lojas – com raras exceções, que confirmam a regra – que dar assistência cultural, moral e espiritual ao lowton, é preparar o maçom completo do futuro.

 

Diante desse vácuo, vigente há mais de 30 anos e que acabaria tendo que ser ocupado, assistiu-se à importação da Ordem de Molay, entidade para maçônica norte-americana, fundada em março de 1919, em Kansas City, pelo maçom Frank Shermann Land.

 

Ela foi introduzida, no Brasil, em 1980, com a criação do “Capítulo Rio de Janeiro”, sob a liderança do Ir.·. Alberto Mansur, Grande Mestre do Supremo Conselho da Ordem de Molay.

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Graças à origem maçônica de seu introdutor, criou-se o conceito de que a Ordem de Molay é ligada às Grandes Lojas estaduais brasileiras, o que é absolutamente falso, já que uma entidade para maçônica não tem vínculo com Obediências e, além de tudo, quem mais tem prestigiado e aproveitado a Ordem, têm sido os Grandes Orientes independentes, surgidos da dissidência ocorrida no Grande Oriente do Brasil, em 1973.

 

Fruto dessa falsa ideia, ou não, ocorreu, em 1983, a aprovação, pela Soberana Assembleia Federal Legislativa do Grande Oriente do Brasil, por proposta do Ir.·. Adison do Amaral, da Lei Nº 002, sancionada pelo Ir.·. Mathatias Bussinger, Grão-Mestre Adjunto, no exercício do Grão-Mestrado Geral, a qual criava a Ação Para-maçônica Juvenil - APJ, cuja intenção é promover a educação integral e integrada de crianças e adolescentes de ambos os sexos, auxiliando na sua formação física e intelectual.

 

Nenhum maçom, em sã consciência, pode ser contrário a essas entidades, pois as finalidades de ambas representam tudo aquilo que está consubstanciado na doutrina maçônica.

 

Mas, e os Lowtons? Como fica a adoção de lowtons? Nesse ponto, as instituições citadas têm sido deletérias, aparentemente, porque estão dando atenção a outros seguimentos do mesmo gênero, mas bem mais recentes, em detrimento de uma tradição tricentenária, que nunca perde a atualidade e a importância. E que é muito mais maçônica!

 

Graças a um jovem e abnegado Maçom, Ir.·. Weber Varrasquim, a Adoção de Lowtons retomou vigor a partir do ano de 2002 com a criação e fundação do Supremo Conselho Universal da Ordem dos Lowtons, inclusive sendo criado 4 graus de acordo com a faixa etária dos jovens adotados, e a partir de então vemos nesta iniciativa o resgate da mais legítima, antiga e conhecida instituição para maçônica do mundo.

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Autor:

Ir.·. José Castellani, junho de 2003.

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